sábado, 30 de outubro de 2010

Tradição de Finados Conforme a Religião

Tradição Católica


Durante o velório, a opção de caixão abeto ou fechado cabe à família ou às pessoas mais próximas.

A partir da crença na ressurreição, a religião católica celebra de forma significativa duas missas após o falecimento - a do sétimo dia e a do trigésimo dia. Pelos costumes, são ocasiões solenes e importantes para a família. Praticantes fervorosos mandam celebrar missas mensalmente a cada ano. Mas as duas primeiras são as principais. Os anúncios destas costumam ser feitos pelos jornais ou de maneira informal entre parentes e amigos. Importante que pessoas próximas procurem comparecer como ato de respeito, mesmo pertencendo a outra religião. Afinal, trata-se de um gesto de atenção para com aqueles que aqui estão.

A presença em uma missa não desobriga do comportamento em outra. Procure adequá-las à sua disponibilidade. Ou seja, vale a regra de presença no velório e no enterro.

Fundamental que você permaneça até o final da cerimônia e se dirija à família ou aos demais presentes para cumprimentá-los. Logo à entrada poderá ser colocado o livro de presenças, no qual se pede o endereço dos que ali estiveram para que seja enviado um cartão de agradecimento.
O mais indicado ú um cartão de dimensões 10cm x 15 cm, com os dizeres impressos (veja os modelos abaixo). Já foram obrigatórias uma tarja transversal negra no canto superior esquerdo ou uma moldura negra ao redor do cartão, mas ambas caíram em desuso.

Aquele "golpe" de pedir para alguém preencher o livro por você é emnos eficiente do que se imagina.


Tradição Espíritia

Os espíritas seguem as tradições de decoro nas vestimentas.

Não há restrição quanto ao caixão aberto ou fechado, e acredita-se não ser muito positivo chorar pela pessoa que desencarnou. Música ambiente é permitida, e flores são recebidas, mas não necessárias. Não se utilizam velas.

Após o sepultamento, espíritas não preveem nenhuma cerimônia.

Tradição Evangélica

Os evangélicos acreditam na separação da alma do corpo, do qual é retirado todo tipo de adorno para que seja colocado no caixão.

Os quesitos decoro e sobriedade têm grande importância neste momento, e condenam-se rituais ou cerimônias dirigidos à pessoas que se foi: o velório é voltado para o bem-estar dos enlutados.

Os enlutados não necessitam obrigatoriamente ser parentes ou amigos, mas qualquer um que assim se sinta.

As velas, que no catolicismo representam a iluminação do caminho da alma para o céu, não são permitidas aqui, pois essa lua deve ter sido recebida durante toda a sua vida de fé.

Não há restrição quanto a música e flores - tudo o que possa trazer bem-estar aos que estão de luto. O corpo pode ser deixado sozinho.

O pastor se faz presente ao longo do processo.

Os evangélicos não adotam do Dia de Finados como uma data para reverenciar os mortos. Pode ser um dia como qualquer outro, lembrando que em nenhum momento se acendem velas ou se permitem rituais.

Tradição Judaica

Uma vez constatado o óbito, todas as janelas do recinto são abertas e os adornos do falecido, retirados. Os judeus pregam que, ao morrer, a pessoa se encontra com o Criador, e não seria de bom decoro estar perante a presença divina munido de coisas mundanas.

Cobre-se o corpo com um lençol branco, no intuito de que seja conservada a imagem da pessoa em vida. Mais tarde, o corpo é acomodado em um velório apropriado em cima de uma mesa de pedra, com os pés sempre posicionados em direção à porta. Coloca-se algum apoio sob a cabeça, para que esta fique mais alta em relação ao corpo. Acima da cabeça, acendem-se três velas.

Na escolha do caixão, procura-se prezar pela simplicidade: sempre preto, com um estrela-de-davi de cor branca na parte superior da tampa. Essa padronização representa a igualdade entre os homens.

Com a chegada do caixão ao velório, ali é colocado o falecido. O caixão é fechado, pelo mesmo significado do lençol branco.

As velas são mantidas acesas até a saída do féretro, e pessoas leem os salmos em intenção à alma do falecido, mencionando suas virtudes e boas ações.

O envio de flores não é uma prática adotada pelo judaísmo. Caso as recebam de alguém que não saiba disso, eles a colocam em uma sala à parte. As flores não são levadas ao cemitério.

Para essa filosofia, não se mistura vida com morte, e o corpo não é deixado em momento algum.

Dentro do recinto não se pode comer, beber e fumar.

Não são oferecidas condolências antes do sepultamento. Não se cumprimentam os enlutados, uma vez que os judeus acreditam que palavras são incapazes de expressar adequadamente o pesar do momento. Quem comparece a esse funeral não deve puxar conversa com quem está de luto, mas apenas responder caso seja indagado.

Só se consideram enlutados pai e mãe, filho e filha, irmão e irmã, esposo e esposa.

Os códigos de vestimentas são os mesmos das demais religiões, com preferência a trajes escuros e decorosos.

Fundamental que a cabeça dos homens esteja coberta pelo quipá - que em geral é distribuído àqueles que eventualmente não o tenham. Neste caso, até um lenço vale. Mulheres não precisam cobrir a cabeça - salvo as ortodoxas.

Segundo a tradição Askenazi (judeus europeus), mulheres grávidas e lactantes não podem comparecer ao cemitério. Já os sefarditas (os judeus árabes) não permitem mulheres em geral. Para eles, trata-se de lugar impuro, inapropiado para elas.

Não são realizados enterros durante o Shabat ou qualquer Yom Tov (dias festivos).

A chegada ao cemitério é feita pela porta que tem o vão superior aberto, simbolizando que ali vivos e mortos podem passar. A saída ocorre pela porta que possui um arco na parte superior, com a simbologia de que apenas os vivos por ali passarão.

Após o sepultamento, os judeus não costumam ir para a casa, acreditando assim despistar o anjo da morte.

É costume que eles passem os 7 dias subsequentes ao falecimento recbendo visitas em casa. Estas devem ser realizadas após o horário da reza da manhã, feita pelos homens - o ideal entre 10 e 12 horas. Durante o almoço, não se devem fazer essas visitas. O horário para esse comparecimento se reinicia às 15 horas e vai até as 19:30h., quando novamente os homens se agrupam para a reza do entardecer. Como já foi dito, não leve flores. Um livro com mensagens acalentadoras, por exemplo, pode ser uma sugestão bem-vinda.

Fatos e Figuras

O Dia de Finados Diferente do México

O Dia de Los Muertos é comemorado no México com as pessoas fazendo pequenos altares como oferendas para os entes queridos falecidos, escolhendo sempre as coisas de que eles mais gostavam, como comida, bebida e flores. Não se espante se estiver por lá nesse dia: são comuns piqueniques feitos nos cemitérios ao redor dos túmulos.

Na véspera da data, as famílias se reúnem para enfeitar os túmulos com toalhas, velas e deixar tudo pronto para a ocasião. Uma grande tradição popular são as caveiras doces, que têm para os mexicanos representação semelhante à das abóboras do Halloween norte-americano. Existe inclusive a licença criativa para enfeitar esqueletos femininos com perucas e batom - mas sem medo: eles são feitos da chamada "massapão" - o marzipã.

O colorido das flores é sempre pontuado pelas amarelas, que para eles expressam a morte. Não se chora nem se lamenta: brinca-se muito, dança-se e se passa o dia todo em cima da celebração.

Outra tradição são as rimas, conhecidas como calaveritas, que costumam conter versos em que a morte personificada contrasta com personagens da vida real, sempre fazendo alguma alusão a características da pessoa em questão. Um pouco parecido com o mote do nosso repente nordestino.



Essa tão diferente celebração remonta aos povos indígenas, há mais de 3 mil anos. Quando os conquistadores ali chegaram, no século XVI, introduziram conceitos católicos, e essa mistura deu origem à festa como é hoje.



Fonte: Arruda, Fabio. Faça a festa e saiba o porquê: etiqueta e comportamento do Carnaval ao Réveillon. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2009.
Fotos retiradas da Internet.



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